sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Sergio and Odair Assad - Andante/Allegro from "Tango Suite"


Badi teve a quem puxar, seus irmãos Sérgio e Odair fazem do violão um garanhão puro-sangue absolutamente domado que marcha elegantemente e é capaz dos mais belos saltos.

M.U.C.C.

Yamandu Costa - Disparada

Yamandú é o Leviatã do violão brasileiro!

M.U.C.C.

Ai Que Saudade D'ocê - (Impossible vocal)!



e tem gente no Brasil que não sabe quem é Badi Assad!
Badi é violão brasileiro tipo exportação, musica brasileira multinacional!
M.U.C.C.

Lenine - "Magra"


fim de linha da genealógica. Lenine - urbano, metropolitano, pernambucano.
M.U.C.C.

domingo, 8 de agosto de 2010

Domingo

Tenho muita saudade dos meus anos de estudante.

Tenho saudade porque levava a vida como o time do Santos, os ditos meninos da vila, minha vida era "futebol moleque".

Naquele tempo, não faz tanto tempo assim vai, eu não contava piadas, eu vivia piadas. Raramente falava sério, raramente levava algo a sério e raramente me levava a sério. Por isso ia mal no colégio? Na faculdade? Não. A vida só era menos densa, parecia mais fácil levitar. As músicas, como as piadas, pareciam sair de dentro de mim.

Eu era matéria tão volátil que ao cantarolar uma música dos Beatles virava temporariamente astro inglês do Rock'n Roll. Já fui tropicalista, fundei o clube da esquina, organizei Woodstock, resisti à ditadura, enganei a censura, fui exilado em seatle onde virei grunge, pero no mucho. Toquei guitarras e mais guitarras imaginárias e fiz muito sucesso.

 Também fui intelectual renomado, livros traduzidos, conceitos repetidos pela boca de inúmeras jovens universitárias lindas, que não sabiam do que estavam falando, evidentemente. Dei muitos depoimentos em programas de televisão, assumi cargos importantes e refugiei-me em uma pequena chácara recôndita.Vi meu time campeão mundial dezenas de vezes, fui perseguido pela imprensa, odiava os paparazzi.

Há um momento em que a Imaginação se quebra, de um lado fica a imagem e do outro a ação. Hoje sou cada vez coisas demais para poder sonhar ser outras. De um lado ficaram as imagens, as projeções, idealizações, do outro a ação, a vida, a prática, a realidade. Não é que a imaginação acabou, ela só não me convence com a mesma frequência.

Bom ou ruim? Não se trata disso. Só toquei nesse assunto porque hoje é domingo, esse dia me faz ficar nostáugico.

M.U.C.C.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Nunca se entra duas vezes no mesmo RIO!

Heráclito de Éfeso dizia que a única constância presente nas coisas é a inconstância. Tudo muda o tempo todo, só não muda o mudar. Dizia também que a mudança tem origem na polemos, ou seja no conflito, na guerra. São os opostos criados pela guerra que levam as coisas a mudar. O elemento que representaria melhor essa idéia era o fogo segundo Heráclito. Fui ao Rio de Janeiro e me lembrei de Heráclito.

Interessante é que se atribui a Heráclito a frase: "Não se entra duas vezes no mesmo rio". Esta seria uma metáfora explicativa da teoria de Heráclito. Se tudo está mudando o tempo todo, então o rio seria uma boa figura pois ele é uma corrente, um fluir constante. Mas talvez o rio a que se referia Heráclito não fosse o aquele fenômeno hidrográfico (potamos), mas o Rio de Janeiro.

Garanto que a metáfora tornar-se-ia ainda mais rica. Pois se o que gera a mundança de Heráclito é o conflito, este é muito mais abundante no Rio que nos rios em geral. O Rio de Janeiro "vem-a-ser" o que "vem-a-ser" pela  gritante oposição dos contratos. Por favor, não reduzam o que estou falando a luta de classes!!!!!! As oposições são muitas e muito além daquela que existe entre a zona sul e a zona norte.

Há um Rio que encanta e um Rio que espanta, um das fadas outro das bruxas, se um abençoa o outro joga praga, um hipnotiza o outro paraliza.

Vi um Rio idílico e edênico no Jardim Botânico. As árvores se contorciam pareciando posar para fotos que não podia tirar, não levei máquina e meu celular malemá manda mensagem. As palmeiras-imperiais perfilavam-se em continência para que eu, tomado de constrangimento no meio delas, passasse como que recebendo uma homenagem. As orquídeas, as bromélias, as costas do Cristo lá no alto... Ele apesar de estar de costas passeia exibido no meio de tanta exuberância.  Mas é só dar um passo para fora do jardim que a selva de pedras e asfalto volta a imperar insana de tantos carros, ônibus e uma miríade de outras coisas. A cidade volta a se tornar cronicamente inviável, incaptável, inexprimível. Seus Baudelaires, Benjamins e outros reportadores calam-se.

Há um Rio onde tudo parece novela, cheguei a olhar para os lados para flagrar alguma falha do cenário. Cheguei a esperar pela vinheta que anuncia o intervalo, achei que iria encontrar com alguma Helena de Manuel Carlos. As pessoas tem voz de artista, as senhoras negras vestidas de branco balançam contentes os filhos louros do leblon em belos parques. Mas há também o Rio em que os sotaques vão mudando o charme e o glamour dão lugar a crueza e ao pragmatismo cotidiano e sem frescura. Há garotas de Ipanema, mas há também as pobres garotas (de programa) de Copacabana.

Poderia me alongar em muitas outras imagens e impressões, poderia repetir a fórmula dos últimos dois parágrafos por mais vinte ou trinta, mas basta. Voltemos ao velho Heráclito. O que dizer do Rio? Não se entra nele duas vezes. Não é um, não tem identidade, não se repetirá. Por isso mesmo voltarei logo que puder, não a este (que já nem é mais), mas a um outro próximo, quem sabe!?

M.U.C.C.

Os maestros dos futebol

Estou vivendo tempos interessantes. As coisas parecem fora de lugar, o mundo anda nonsense.

Fui a um concerto do Festival de Música de Londrina e fiquei pensando em futebol.

Um silêncio absoluto, confortável e raro. O maestro se prepara, a orquestra o obedece, o som rompe o silêncio e a música nasce.

Um concerto é um acontecimento extremamente estimulante, coloca meus ouvidos para pensar. Não consigo perder um minuto. Sem perceber, toda minha mente se põe a dançar.

Toda a cabeça se movimenta ao ver e ouvir a orquestra argumentar notas e mais notas com firmeza e eloquência. Debulho-me em epifanias e orgasmos intelectuais, tentando não me distanciar demais do próprio concerto.

Em um dado momento me lembrei do futebol.

É estranho como de uns anos pra cá os técnicos passaram a ser tratados como maestros. É mais estranho ainda perceber como muitos vestiram a carapuça. Cada vez mais vemos técnicos que só faltam entrar em campo de fraque, carregando batuta debaixo do braço, nariz angulado em 45º ou mais.

Na tradição da música erudita o maestro é realmente a figura central nas orquestras. A música de concerto é toda estruturada, da composição à performance, a partir desta hierarquia. Nesta forma de arte não há improviso, variação ou adaptação de momento, tudo deve se passar conforme previamente planejado pelo Maestro.

Esta idéia porém, não cabe no futebol. Em uma sinfonia não pode haver drible, o spalla não pode sair improvisando melodias. Tudo deve ser feito conforme o ensaiado. Se é isso que querem do futebol, me avisem para eu mudar de esporte.

Futebol bom mesmo é dos técnicos discretos, quase imperceptíveis como os bons árbitros. Nos terreiros, campos ou "soccer cities", futebol é arte de se fazer na hora, ao gosto do momento, no calor da peleja ou ao som das vuvuzelas. Boa lição deu o técnico da Espanha. Ele fala? Ele ri? Está triste? Gostou da Larissa Riquelme? Ninguém sabe e nem quer saber. Na Espanha o assunto é Casilhas e sua namorada, Iniesta, Fábregas,....

Os verdadeiros maestros do futebol brasileiro foram Didi, Ademir da Guia, Pelé, Gerson, Rivelino, Zico, Sócrates, Rivaldo.... e se tiver que colocar na lista algum técnico que seja o Bernardinho!

M.U.C.C.