Tenho ouvido pelas redes sociais à fora várias manifestações de exaustão em relação a essas eleições. Pessoas que não querem mais ouvir falar em política ou em qualquer assunto que indiretamente se relacione com o tema.
Creio que o que devemos fazer é exatamente o contrário. Temos que fugir da sazionalidade temática, tão comum entre nós no Brasil e nos meios de imprensa. Isto é, política é um tema de sempre, deve ser pauta constante, não unicamente em período eleitoral.
A eleição inclusive atrapalha o desenvolvimento de debates políticos honestos. O que se viu neste segundo turno deixa isso bem claro. Os candidatos apresentaram elevados graus de esquizofrenia ideológica, psicoses das mais variadas espécies. Isto tudo torna o ambiente muito desfavorável para debates políticos Produtivos. Aborto, casamento gay, liberdade de imprensa são polêmicas que envolvem e mobilizam questões de fundo que não devem ser discutidas como se fossem problemas partidários.
Os eleitores também se deixam levar pelas paixões e suprimem temporariamente, espero, suas faculdades intelectuais. Vimos artistas, pensadores, escritores descendo do salto, rodando as tamancas e batendo bumbo em nome de pretensas verdades, certezas "absolutas" e "fatos" inquestionáveis. A lucidez tirou férias ao que parece entre os meios intelectuais brasileiros, os ódios se acirraram além do esperado.
Espero ansiosamente o debate desta noite, não para ver a exposição de idéias, isto não vai acontecer, mas para ver chegar ao fim uma campanha eleitoral grotesca, mais grotesca que o normal. Espero pelo Brasil de Dilma ou de Serra, não por esperança, mas por tédio!
M.U.C.C.
blog dedicado à publicação despretensiosa e despreocupada de pequenos textos, comentários e pitacos em geral.
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
sábado, 2 de outubro de 2010
Carta aos advogados
Aqui no Brasil a advocacia é uma das profissões de maior reconhecimento e prestígio social. Também pudera, desde os tempos coloniais, quando ainda não havia universidades no Brasil, os filhos das melhores famílias buscavam nas faculdades de direito do velho mundo formação intelectual que lhes distinguisse dos pés-rapados tupiniquins. Filhos de gente tão bem estabelecida em suas conquistas financeiras, é razoável pensar que os jovens estudantes vissem na advocacia mais uma oportunidade de livrar-se do cheiro de esterco de suas botas do que um chamado vocacional verdadeiro. Os pais mandavam os filhos para seus exílios voluntários não por convicções ético-morais, mas para ostentar sua superioridade cultural. Desde muito cedo em nossa História aprendemos a chamar os advogados de doutores, admiramos seus cabelos engomados e batemos palma para seus termos latinos e seus maneirismos lingüísticos. Presenteamos-lhes com as melhores cadeiras do senado, com muitos mandatos presidenciais, com muito espaço nas mídias e tantas outras regalias e honrarias. A advocacia parecia, e ainda parece, representar na cabeça da maioria dos brasileiros um sinal de progresso civilizatório. É como se ao receber o diploma, o jovem bacharel se tornasse um pouco menos brasileiro, um pouco menos rude, bárbaro, incivilizado.
É triste perceber no entanto, como o implacável passar dos séculos só fez agravar a situação que já não se apresentava exitosa. Hoje o prestígio profissional atribuído socialmente permanece grande, as famílias permanecem orgulhosas de seus bacharéis e os profissionais da área cada vez mais ciosos de seu importante papel para o adequado funcionamento do estado de direito. As incontáveis faculdades de direito distribuem com indispensável pompa diplomas que atestam indiscutível proeficiência dos brilhantes advogados serialmente produzidos por aqui.
Porém, o Direito é matéria complexa. Visto que tem de consumar na aplicação particular da regra geral o próprio princípio instituinte do Estado de Direito. O advogado, o jurista, o juíz, o jurisconsulto têm de visitar as celas mais recônditas dos pactos sociais, têm de caminhar sobre as fronteiras dos contratos constituídos e submeter ao mais alto nível crítico a materialidade textual das normas. E ainda fazer isto amparado em conceitos abstratos e subjetivos, para não dizer relativos, como justiça, equidade, proporcionalidade e isonomia.
Deve ser desesperador para um jovem sedento por sucesso descobrir tardiamente a utilidade das intermináveis aulas de Filosofia, Sociologia, História e, em alguns casos, Gramática. O que fazer diante disso?
Muitos se entregam ao pragmatismo profissional, ao exercício de uma prática forense rasteira, cheia de vícios, pequenas malícias e oportunismos. Muitos fazendo isso encontram um relativo sucesso. Mas condenam o ambiente dos tribunais à uma atmosfera tóxica que exala a podridão do gênero humano. Muitas universidades e muitos professores não percebem o cesto cheio de víboras que alimentam. Mas há saída. Aos que foi concedido o dom de pensar devem exercer sua atividade orientados pelos mais nobres valores ético-morais, não devem tomar a maioria como modelo e exercer dignamente seu pape social. Aos menos privilegiados, cabe o conselho do grande Paulo Vanzolini: "reconhece a queda, levanta, sacode a poeira e da volta por cima"! Afinal, vestibular tem todo ano!
M.U.C.C.
É triste perceber no entanto, como o implacável passar dos séculos só fez agravar a situação que já não se apresentava exitosa. Hoje o prestígio profissional atribuído socialmente permanece grande, as famílias permanecem orgulhosas de seus bacharéis e os profissionais da área cada vez mais ciosos de seu importante papel para o adequado funcionamento do estado de direito. As incontáveis faculdades de direito distribuem com indispensável pompa diplomas que atestam indiscutível proeficiência dos brilhantes advogados serialmente produzidos por aqui.
Porém, o Direito é matéria complexa. Visto que tem de consumar na aplicação particular da regra geral o próprio princípio instituinte do Estado de Direito. O advogado, o jurista, o juíz, o jurisconsulto têm de visitar as celas mais recônditas dos pactos sociais, têm de caminhar sobre as fronteiras dos contratos constituídos e submeter ao mais alto nível crítico a materialidade textual das normas. E ainda fazer isto amparado em conceitos abstratos e subjetivos, para não dizer relativos, como justiça, equidade, proporcionalidade e isonomia.
Deve ser desesperador para um jovem sedento por sucesso descobrir tardiamente a utilidade das intermináveis aulas de Filosofia, Sociologia, História e, em alguns casos, Gramática. O que fazer diante disso?
Muitos se entregam ao pragmatismo profissional, ao exercício de uma prática forense rasteira, cheia de vícios, pequenas malícias e oportunismos. Muitos fazendo isso encontram um relativo sucesso. Mas condenam o ambiente dos tribunais à uma atmosfera tóxica que exala a podridão do gênero humano. Muitas universidades e muitos professores não percebem o cesto cheio de víboras que alimentam. Mas há saída. Aos que foi concedido o dom de pensar devem exercer sua atividade orientados pelos mais nobres valores ético-morais, não devem tomar a maioria como modelo e exercer dignamente seu pape social. Aos menos privilegiados, cabe o conselho do grande Paulo Vanzolini: "reconhece a queda, levanta, sacode a poeira e da volta por cima"! Afinal, vestibular tem todo ano!
M.U.C.C.
domingo, 19 de setembro de 2010
O melhor do mundo II
Vivemos em uma sociedade que gosta de enganar e ser enganada. Se assim não fosse, os mágicos, ilusionistas, publicitários, advogados e tantas outras categorias estariam desempregadas. Existe uma adorável alegria em pregar uma peça em alguém e assistir a vítima afundar-se na ilusão sem perceber o engodo. Ficamos sempre impressionados com as ilusões de ótica, agora tão em evidência com o 3D, que sabemos serem falsas. Porém, esta sedução pelo engano se espraia perigosamente em outros campos.
O campo político é sem dúvida vítima deste gosto pela engambelação, mas esta é uma constatação tão óbvia que não lhe dedicarei nem mais uma palavra. Existe cada vez mais a enganação artística, gente que quer fazer arte sem saber do que se trata ou gente que quer ganhar dinheiro se aproveitando da pobreza espiritual dos outros. Mas este é um tema vasto demais, deixemos para um próximo post.
A pior enganação é a intelectual. Durante esta semana tive de passar algumas horas diante de verdadeiros ilusionistas do pensamento, uns tinham mais recursos outros não. Dentro da arte de tentar enganar existem os mister "m" 's e os mágicos de circo mambembe, mas a empulhação de ambos é deplorável. Uns apelam para a potência das cordas vocais ou dos sistemas de som, outros recorrem à citação de autores que pareçam exóticos ao público médio, mas o conteúdo de suas falas é igualmente pífio.
Os mandraques retóricos são cada vez mais numerosos, provavelmente pelos bem sucedidos casos desta categoria. Quantos enganadores intelectuais estão ganhando polpudos cachês por proferirem palestras imbecis ou por escreverem livros inócuos. Não é difícil encontrar um exemplar desses asquerosos sofistas dando entrevistas vazias à repórteres de cera em canais de TV. E o pior é que eles fazem a cabeça de muitos. Há uma multidão incontável de devoradores de pastéis de vento. Gritando aleluia e aplaudindo, balançando a cabeça e pagando de cult, o quadro só não é cômico porque é trágico.
Quem verdadeiramente tem algo a dizer não tem estômago para ficar fazendo publicidade pessoal. Se você quer escutar algo que preste fuja dos grandes, dos renomados, das gravatas reluzentes, dos cabelos engomados. Fuja também dos que não têm gravatas reluzentes, mas gostariam. Não tem o nome em letreiros de neon, mas sonham ter. Neste caso, o ego é corrosivo ao intelecto.
Os artístas, pensadores e jornalistas que admiro são despojados de qualquer construção publicitária de suas imagens. Assisti o Juca Kfouri dar uma palestra fantástica em Londrina e ele chegou andando pelo meio da platéia como qualquer um, roupas amassadas, óculos preso ao pescoço e idéias legais, experiências pessoais riquíssimas, valeu a pena vê-lo. Conheça pregadores como Ariovaldo Ramos, Kivitz, Caio Fábio e você verá que: "imagem não é nada, sede é tudo, obedeça sua sede" não beba sprite, beba água.
Na sociedade doentia de nossos dias, desconfie de toda forma de sucesso! Corro atrás de pessoas como o jovem arqueiro chinês do post passado, não estão em busca de serem reconhecidos, estão em busca de serem os melhores do mundo!
M.U.C.C.
M.U.C.C.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
O melhor do mundo
Em uma quase esquecida aldeia do interior profundo da China havia um jovem arqueiro que sonhava em ser o melhor do mundo. Seu talento impressionava, era rápido e frio, intuitivamente calculava centenas de variáveis simultaneamente, os ventos e suas mudanças, as flechas e suas sutis diferenças, a gravidade, a velocidade...
Dizem que ele cruzou sua terra, passou pelos mais ínfimos vilarejos, contornou cordilheiras, redescobriu trilhas fechadas pelo tempo, abateu bestas sorrateiras e livrou-se de feiticeiros sagazes para encontrar-se com um velho mestre cuja reputação era a de ser o mais douto arqueiro entre os viventes.
O mestre de fala mansa, mas imponente, mostrou-se pouco amistoso e só aceitou treinar o jovem ao ver seu incomum talento e estilo. Foram anos de infindáveis repetições de exercícios, os limites foram cotidianamente ultrapassados, o estado de exaustão foi o companheiro mais presente do jovem arqueiro, que não abriu sua boca ou exprimiu qualquer movimento que representasse relutância ou insubordinação às ordens do velho mestre.
Numa fria manhã, o mestre dispensou o aprendiz dizendo-lhe que estava pronto. Presenteou-lhe com um inédito abraço, ainda que discreto, sorriu levemente e deu-lhe as costas. O jovem conformado pegou se arco e suas flechas e partia quando sentiu um frio cortando-lhe a espinha e um leve deslocamento de vento em sua direção. Rapidamente sacou uma flecha, posicionou-a no arco e, sem ter tempo de fazer mira, lançou-a na direção do mestre. As duas flechas se encontraram perfeitamente, partiram-se mutuamente e repousaram na relva ainda úmida. O mestre agora ria largamente...
Refazendo o caminho de volta o jovem chegou novamente em sua terra. Porém, antes que pudesse encontrar alguém que lhe perguntasse sobre seu treinamento e lhe pedisse demonstração, o jovem atirou suas flechas para o alto e depois quebrou o arco em várias partes. Para todos os efeitos ele nunca esteve com o mestre e nunca, mas nunca mais mesmo voltou a segurar em uma flecha.
posso parar por aqui?
M.U.C.C.
Dizem que ele cruzou sua terra, passou pelos mais ínfimos vilarejos, contornou cordilheiras, redescobriu trilhas fechadas pelo tempo, abateu bestas sorrateiras e livrou-se de feiticeiros sagazes para encontrar-se com um velho mestre cuja reputação era a de ser o mais douto arqueiro entre os viventes.
O mestre de fala mansa, mas imponente, mostrou-se pouco amistoso e só aceitou treinar o jovem ao ver seu incomum talento e estilo. Foram anos de infindáveis repetições de exercícios, os limites foram cotidianamente ultrapassados, o estado de exaustão foi o companheiro mais presente do jovem arqueiro, que não abriu sua boca ou exprimiu qualquer movimento que representasse relutância ou insubordinação às ordens do velho mestre.
Numa fria manhã, o mestre dispensou o aprendiz dizendo-lhe que estava pronto. Presenteou-lhe com um inédito abraço, ainda que discreto, sorriu levemente e deu-lhe as costas. O jovem conformado pegou se arco e suas flechas e partia quando sentiu um frio cortando-lhe a espinha e um leve deslocamento de vento em sua direção. Rapidamente sacou uma flecha, posicionou-a no arco e, sem ter tempo de fazer mira, lançou-a na direção do mestre. As duas flechas se encontraram perfeitamente, partiram-se mutuamente e repousaram na relva ainda úmida. O mestre agora ria largamente...
Refazendo o caminho de volta o jovem chegou novamente em sua terra. Porém, antes que pudesse encontrar alguém que lhe perguntasse sobre seu treinamento e lhe pedisse demonstração, o jovem atirou suas flechas para o alto e depois quebrou o arco em várias partes. Para todos os efeitos ele nunca esteve com o mestre e nunca, mas nunca mais mesmo voltou a segurar em uma flecha.
posso parar por aqui?
M.U.C.C.
terça-feira, 14 de setembro de 2010
metáfora das eleições
A maneira como esquerda de tradição marxista vê o capitalismo é semelhante à de um médico diante do vício de fumar, é um mal letal, cruel e inexorável. Diante disso, podemos dizer que o Plínio de Arruda representa o médico que ordena o fim imediato do consumo de cigarros. A Dilma é aquela que estabelece um cronograma para a redução do número de cigarros por dia até o fim total. A Marina aderiu à ideia da redução de danos, ou seja, "se não vai parar mesmo, que fume um light" (ou talvez seja um "paieiro"). E o Serra é aquele que diz... "ah, todo mundo morre um dia!"
M.U.C.C.
M.U.C.C.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Uma volta no Lago.
Faz algum tempo que fiz das margens do Lago II meu espaço de exercícios, senão diários, habituais. Você pode estar pensando: você e a torcida do Corinthians. Mas eu discordo desse pensamento. Em cada nova caminhada fica mais claro para mim que a maioria das pessoas não vai caminhar, correr, mas vão se fazer visíveis. Parece com as praças das cidades do interior, só que sob o verniz da fit-life. Nas cidades menores as pessoas parecem estar menos acostumadas a mentir, vão para praça e se apresentam, se manifestam interessadas. Homens andam em um sentido e as mulheres no outro, sem dúvida facilita o flerte, fica a dica para o prefeito e para a câmara quem sabe um projeto de lei pode nascer daí. Aqui não é assim, faz-se cara de sério, mau, distante, tem que suar, ou pelo menos quase. Se aparentemente o mercado dos desejos por aqui parece mais reprimido, a linguagem corporal desmente a tese. Os corpos estão todos premeditadamente à amostra, premeditadamente favorecido por esta ou aquela fibra elástica sinteticamente desenvolvida. Pessoas saltitam, esticam-se, sofrem em muitos casos vendendo-se. Os corpos pulsantes do lago são obras de publicidade. Cabe a pergunta: o que não é obra de publicidade nos dias atuais? Chegará o dia em que compraremos anúncios?
Em tempos quentes o mercado de carne anda cheio, por isso tenho andado pelo caminho de dentro (feito de pedriscos) para desespero do meu tênis.
Você, meu improvável leitor, pode estar se perguntando o porquê deste meu texto. Moralismo? Rancor? Ressentimento? Mau humor? O que me inquieta diante deste fenômeno não é fato das pessoas estarem ali lançando suas redes pra ver se o mar tá pra peixe, vendendo o almoço pra comprar a ceia, mas a falta de consciência com que o fazem. Aposto que boa parte dos transeuntes do lago II acreditam que estão ali por ser saudável. É fato que também estão ali por isto, mas por que não andam no decadente zerão, no artur tomas, no cabrinha (talvez fique longe para alguns)?
Há uma necessidade crescente em nós de sermos percebidos, isso vale para as caminhadas, mas vale para nós twitteiros, blogueiros, facebookers, orkuteiros. Ninguém quer cair no esquecimento, nem o Beto Barbosa recém ressurreto na campanha da Skol, todos queremos ser relevantes. A pergunta é o que em nós chama a atenção dos outros? Se queremos abrir nossas intimidades para atrair atenção, qual parte de nós deve ser mostrada?
M.U.C.C.
Em tempos quentes o mercado de carne anda cheio, por isso tenho andado pelo caminho de dentro (feito de pedriscos) para desespero do meu tênis.
Você, meu improvável leitor, pode estar se perguntando o porquê deste meu texto. Moralismo? Rancor? Ressentimento? Mau humor? O que me inquieta diante deste fenômeno não é fato das pessoas estarem ali lançando suas redes pra ver se o mar tá pra peixe, vendendo o almoço pra comprar a ceia, mas a falta de consciência com que o fazem. Aposto que boa parte dos transeuntes do lago II acreditam que estão ali por ser saudável. É fato que também estão ali por isto, mas por que não andam no decadente zerão, no artur tomas, no cabrinha (talvez fique longe para alguns)?
Há uma necessidade crescente em nós de sermos percebidos, isso vale para as caminhadas, mas vale para nós twitteiros, blogueiros, facebookers, orkuteiros. Ninguém quer cair no esquecimento, nem o Beto Barbosa recém ressurreto na campanha da Skol, todos queremos ser relevantes. A pergunta é o que em nós chama a atenção dos outros? Se queremos abrir nossas intimidades para atrair atenção, qual parte de nós deve ser mostrada?
M.U.C.C.
domingo, 5 de setembro de 2010
O contemporâneo cristianismo pop-sufi
Existe um ramo do islamismo que é conhecida como sufismo. Considerados pela maioria dos muçulmanos como heréticos, são perseguidos em muitos países do mundo árabe e resistem a esta situação à séculos. Os sufis são marcados por sua estreita relação com a música e a dança. Dentro dos rituais sufis os religiosos são envolvidos em um ambiente musical peculiar, há uma redundância de sonoridades, um pulso rítmico afirmado constantemente e cantos repetidos inúmeras vezes. Os participantes do ritual dançam de uma maneira bastante característica também, abrindo os braços até a altura do ombro e inclinando levemente a cabeça giram sobre o próprio eixo constantemente fazendo suas sais elevarem-se formando grandes círculos.
Video: Música sufi en Turquía - WebIslam.comA origem do termo "sufi" é discutível, mas a maioria dos estudiosos concordam que ele signifique "santo". Muitos sufis praticam uma religiosidade monástica, isolam-se acreditando que assim estão livres da pecaminosidade da vida cotidiana. O próprio exercício dos rituais sufis têm essa caraterística, ao dançar o sufi se aliena do mundo ao seu redor em busca de uma experiência mística que o leva, segundo crêem, ao encontro de Deus. Os sufis entendem que a única maneira de se relacionar com Ala é através do extase alcançado a partir da dança. Os giros, a música, as repetições, levam-os à experiência do divino.
É bastante interessante percebermos como há uma espécie de sufismo se abatendo dentro do mercado musical evangélico já a algum tempo.
M.U.C.C.
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