terça-feira, 16 de novembro de 2010

cultura e natureza

fome e apetite

cru e cozido

sexo e amor

raiva  e rancor

está condenada a cultura a obedecer à natureza e a natureza limitada pela cultura?

M.U.C.C.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A maior de todas as distâncias.

Vazo os olhos edipiante.

Não me absolvo, é minha a culpa.

Melhor é assim pensar, sem terceirizar.

Como foi que aqui cheguei?

Por quais vias me fiz agora?

Quer saber, não respondo essa pergunta.

Não há maior tortuosidade, não há caminho mais sinistro,

não há maior distância, do que o peito e a razão!

M.U.C.C.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Exceção, resenha, crueldade, tudo, diferente....

palavras orbitam minha mente

rodam paranóicas

gravitam sob condições pretéritas

palavras lindas, palavras secas

verdadeiras ou não

relevantes talvez


bombas sonoras, torpedos gráficos

vagueam clandestinas renitentemente

insistem em espasmos nauseabundos


se pretendo me desfazer delas?

lançar fora em retrolavagem?

só se fosse louco, elas são minhas melhores amigas

M.U.C.C.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

kelly key e a crueldade da beleza

Travestida pela banalidade a maldade se potencializa. De tudo o que é ruim, cruel, desumano, sua medida se avoluma a partir do momento que não é mais capaz de nos causar náuseas. Convivemos cotidianamente com atrocidades rasteiras, com mentiras hipócritas, com maus-tratos profundos, que simplesmente carregamos a tiracolo. Vez ou outra nos damos ao direitos de manuseá-los até.

Como artesãos de maldades somos criativos e eficientes, somos capazes de produzi-las a partir das mais diferentes fontes de matérias-primas, sob as mais adversas circunstâncias e nos mais inesperados momentos. Tem coisa ruim pra todo gosto e hora, não falta oferta desse bem tão abundante.

Mas há uma maldade que surpreende para além da média. Pela sutileza e refino no preparo, passa até por coisa boa e bem-vinda, quando se dá conta do engodo normalmente já é tarde. É a maldade que se faz da beleza ou a partir de coisas boas. Lembrei-me da banal Kelly Key e do seu inesquecível, infelizmente, "baba baby, baby baba"! Como há crueldade nesta frase, sinto-me como Tarantino analisando "Like a virgin", valer-se de seus, digamos, talentos para oprimir é um requinte de crueldade para além do ordinário.

Tenho visto pessoas que valem-se de seu reconhecimento como artistas para impor valores e idéias que pareceriam frágeis sem a autoridade de seu reconhecimento. Usam o encantamento causado em seus admiradores para lhes manipular, paradigma do baba baby! Poderia-se afirmar em defesa da senhora Key que agia em legitima defesa, sua crueldade era uma vingança, um acerto de contas. Mas ainda resta o imperativo da generosidade, a melhor forma de vingança não seria não responder na mesma moeda? Só se é livre do opressor quando não lhe devolvemos os maus-tratos.

A beleza é para o bem, o sublime para a liberdade.


M.U.C.C.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

To live and let die!

Tudo que é belo, evidentemente belo, inelutavelmente belo, indiscutivelmente belo, desconcertantemente belo, me paralisa. Fico como que anestesiado, é único. Mas beleza não é coisa que se encontra em qualquer esquina, beleza é a desconstrução de todo o resto. Lembro-me de Michelangelo que dizia que para esculpir o seu Davi bastava retirar da pedra tudo o que não era Davi.

O que fazer diante da beleza? Render-se, percebê-la e desfrutar. Certo desde o princípio, entretanto, que ela rapidamente passará!

M.U.C.C.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

leveza insustentável.

Escrevo na ilusão de ser capaz de sustentar o peso da minha cabeça. Ela pesa horrores. Não costumo usar este espaço para reclamar, mas é real. Não pesa por ser muito cheia, nem por ser dotada de grande quantidade de massa cinzenta, minha cabeça pesa porque é incapaz de ser leve.

Existem pessoas muito leves, são constituídas de uma matéria sensivelmente menos densa. Elas operam em outra frequência, suas cabeças giram em outra rotação. Não sou capaz de conhecer existencialmente essas pessoas para saber se são mais felizes, alegres, satisfeitas ou realizadas, mas parecem.

Quero levitar! Como não tenho conseguido, escrevo.

M.U.C.C.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Aceto Balsâmico!

Nunca gostei de vinagre. O troço me travava toda a boca descendo para a garganta, me lembrava o gosto das anestesias do dentista. Desgosto total era ter que encarar aquela salada nadando no vinagre, comer aquilo era um parto para mim. Um dia, sem perceber exatamente quando, passei a gostar de vinagre. Hoje adoro, ajuda a comer salada, uma redução de aceto balsâmico com um pouco de mel é coisa muito boa. como vinagre com prazer hoje em dia, quase bebo..brincadeira.

Lembrei agora dessa história e fiquei pensando que se me perguntassem a respeito de vinagre alguns minutos antes de mudar meu paladar, diria que não gostava, não suportava, detestava o tal tempero.

Não devemos nutrir verdades absolutas, prontas e acabadas sobre nós mesmos. É um convite a traição, diria à auto-traição. Quem sou eu? pergunta boba! idéia besta! Talvez seja mais plausível tentar responder, quem eu tenho sido ultimamente.

Se gosto de vinagre? tenho gostado sabe.

M.U.C.C.