quinta-feira, 25 de novembro de 2010

viagem

Em Campo Mourão pude ver o horizonte. Ele me pareceu mais curto do que o horizonte londrinense. Não sei qual a explicação geográfica....melhor não falar alto, geógrafos gostam de explicar tudo! O fato é que o horizonte em Campo Mourão era bem mais curto do que o daqui. O problema é que em Londrina não há mais horizonte, só prédios e problemas sempre tão altos. Gosto muito de olhar o horizonte, me conforta, me relaxa. Aqui em Londrina quando tenho a oportunidade de olhar o horizonte abuso da oportunidade. É delicioso olhar a terra encontrando o céu, eu por vezes prefiro bater um papo com o horizonte do que com outras pessoas. Mas minhas janelas não tem horizontes. Acho que sei porque eu gosto do horizonte, me sinto longe, o mais longe possível de mim mesmo.

M.U.C.C.

só resta a palavra

Estou escrevendo à contra-gosto. Meu texto se voltou contra mim. Eu leio minhas frases, meus maneirismos, meus macetes em textos que não são meus. Ou são meus? não sei dizer mais. Ver no outro um pedaço de si é sempre bom, a menos que isto se volte contra si mesmo. Você quer machucar alguém, ataque-o com suas próprias armas. Vai doer como nunca. Meus textos são meus refúgios, eles não podem se voltar contra mim.Os meus textos não parecem meus e os que não são meus parecem me pertencer. Mas eu e eles estamos brigando. Leitores me desculpem, mas não estou escrevendo para vocês, estou escrevendo para meus textos e meus fragmentos de textos enxertados em outros. Voltem pra mim, concordem comigo, pelo menos vocês.

M.U.C.C.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

chuva

Minha vó gosta muito de dias de chuva. Ao notar os primeiros indícios, uma nuvem que escurece, um ruído trovejante, ela abre um belo sorriso e recupera sensivelmente seu humor. Desde que percebi isto passei a observar como ela é uma pessoa interessada nos movimentos da natureza. É como se tentasse ler as pistas dadas pelo céu, pelos pássaros, pelo vento, tentando decifrar o criptograma dado matinalmente pela natureza. Ela nasceu em um Brasil ainda rural, onde as condições naturais eram mais evidentemente importantes para as pessoas. Naquele Brasil caipira chover era como ver o saldo da conta-corrente no azul, sinal de que a provisão estava em vias de se consumar. Chover era como pagar uma nota promissória, da qual nem sempre se tem fundos e o avalista é um ser intempestivo. Por isso, eu não acho inútil conversar sobre o tempo. Sabe aquele papo de taxista, de elevador, de salão de beleza, meninas, trata-se de um tema relevante que deve ser discutido e exercitado.
Eu também gosto de chuva, mas não como minha vó. Eu gosto de chuva por causa do cheiro, da temperatura, da mudança das cores, da umidade. É uma afinidade sensorial e estética. Não sou uma pessoa que gosta de refrões, prefiro as estrofes. Um dia de sol é tão obviamente mais belo, é tão louro, tão exuberante que eu acabo alimentando um apreço pela chuva. Parece-me como uma preparação, ninguém merece um sol no verão sem tomar umas chuvas por ai. É como torcer para o time mais fraco, eu não sei explicar, mas se me pego assistindo uma partida de qualquer coisa, quando dou por mim estou torcendo por aqueles que me parecem inferiores ou que estão em desvantagem no marcador. Eu gosto de chuva também porque me sinto um cara chuvoso, eu jamais seria aquele entardecer bronze em Copacabana, ou um dia de sol à pino em Porto de Galinhas. Eu sou um dia chuvoso e com alguns trovões de vez em quando. Quando vejo as gotas de chuva formarem um espécie de névoa ou quando forma-se uma densa neblina, sinto-me em casa. Pode ser calma, leve, rápida, intempestiva, persistente elas sempre me parecem familiares.

Droga! Parou de chover!

M.U.C.C.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O homem diante das ovelhas

"Observa o rebanho que pasta diante dos teus olhos: ele não sabe o que significa nem o ontem nem o hoje; ele pula, pasta, repousa, digere, pula novamente, e assim da manhã à noite, dia após dia, estritamente ligado a seu prazer e à sua dor, ao impulso do instante, não conhecendo por esta razão nem melancolia nem a tristeza. Este é um espetáculo duro para um homem, este mesmo homem que vê o animal do alto de sua humanidade, mas que inveja por outro lado a felicidade dele - pois este homem só deseja isto: viver como animal, sem tristeza e sem sofrimento; mas ele o deseja em vão, pois não pode desejar isto como o faz o animal." (Nietzsche)


Devo confessar que me identifico com este homem. Tenho mais que uma pontinha de inveja das ovelhas. A memória e toda a estrutura da consciência que dela emana são, quem sabe, o núcleo mais denso de mim mesmo, o mais verossímil elemento de uma suposta essência que me contém.

Pensar o meu tempo dói e pensar temporalmente a mim mesmo também.

Os finíssimos grãos de areia que escorregam rumo ao outro lado da ampulheta parecem atravessar uma estrutura capilar ainda mais fina de minha alma, fartamente conectada à infindáveis terminações nervosas. Nervos que trabalham como formigas para me fazer lembrar, me fazer lembrança.

Sinto o tempo, me sinto nele, me faço tempo. Vivo-me.

O fluxo temporal incessante nutre o homem que habita em mim.

M.U.C.C.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

ego, ergo sum!

cólera no Haiti

os EUA vão mal

o Brasil....não se fala

as bombas do Irã

as colinas de golã

arrastão em Copa

...

Mas, meus dilemas são bem maiores!

M.U.C.C.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Juro que queria muito ser um artista de verdade!

De tudo o que tenho pra dizer, não conheço melhor maneira que a arte! Se houvesse outra forma eu usaria, sinto-me livre e preso a ela!


pela arte foge-se da dura realidade, pela arte encontro-me com meu eu exclusivo. Pela arte sou eu mesmo e fujo de quem não mais quero ser!


queria uma vida onde pudesse viver os sonhos na mesma intensidade da vida real!


ou ainda viver mais os sonhos!


na arte se pode escolher que parte de si se quer ser e que parte não se quer mais!


o artista é um altista que se reconciliou esteticamente com o mundo

M.U.C.C.

descomplicar!

Alguns dias atrás escrevi sobre a dificuldade de ser leve, e continuo me sentindo enredado no mesmo problema.

Por que será que não podemos ser simples e leves?  Por que criamos inúmeros mecanismos que complicam o que seria fácil e rápido?

existem coisas que não são simples, a estas dediquemos nossos esforços no sentido de lidar com suas complexidades.

Mas no que for possível tratar com precisão e simplicidade, prefiro que seja assim.

Só o que é preciso pensar quero pensar.

Quero ser simples e leve!

M.U.C.C.