Nesses poucos anos de profissão, de casado, de alguns títulos e alguma boa-fama na praça poderia ter me deixado sentir satisfeito, recompensado ou bem sucedido. Mais nesta tola armadilha eu não caio. Minto, é claro. Já cometi a bobagem de muitas vezes me sentir em posição de dizer ou em condições de exigir. Como diz a velha sabedoria, a carne é fraca. Não unicamente em assuntos de amor ou paixão, como se costuma pensar, mas também e principalmente em matéria de vaidade.
Se eu conquistei algum tesouro nesse meu pequeno feixe de anos são as coisas que levo na memória. Lá guardo meus filhos, minha esposa e mais algumas quinquilharias. Enquanto eu puder fechar os olhos e me lembrar de tudo o que me cativa, de todas as noites alegres, as tardes floridas, as boas idéias, as grandes peças musicais, as moças bonitas, os amigos queridos, ainda terei valor e dignidade. Enquanto eu puder dizer " estive ali", "como vai você", enquanto eu ainda souber rir de uma piada e fazer bem a mais alguns, me atreverei a me chamar humano. Depois ...
buenos aires, 19 de julho de 2011
M.U.C.C.
blog dedicado à publicação despretensiosa e despreocupada de pequenos textos, comentários e pitacos em geral.
domingo, 31 de julho de 2011
terça-feira, 26 de julho de 2011
Diários Austrais: Um instante
Por um instante fui lúcido e só por um pouco não me fiz lúcifer. Por um instante fecundo me fiz valer à pena por mais algum tempo. Por um instante não fui fraude, farsa ou anedota. Por um saudoso momento deixei meus olhos verem e meus ouvidos ouvirem. E nesse espasmo do existir me chamei marcos e tudo tinha nome, lugar e resposta. E nesse século-instante chorei. Lamentei por mim e por todos, como na epifania do profeta, como no cair das quedas do Iguaçu. Insistentemente chorei como um quebrar-de-ondas, vivi um choro-faxina e pude até me sentir honesto. Depois passou. E tudo deixou de ser, como sempre. Saído deste lúcido transe vesti a vida do sempre-igual, fez frio, turvidão e dúvida. As enguias do desencanto voltaram a nadar em minha banheira.
Buenos Aires, 19 de julho de 2011
M.U.C.C.
Buenos Aires, 19 de julho de 2011
M.U.C.C.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Diários Austrais: 9 de Julho
Não conseguiria chamar de cidade um lugar onde não pudesse ouvir o barulho dos ônibus. Desde pequeno dormia embalado pelos roncos de seus motores. O barulho provocado pelo alongar das marchas entrava lentamente nos meus sonhos e se perdia em um infinito de interioridades. Por isso me senti em casa em Buenos Aires. Suas ruas largas, as pessoas enformigadas, a visão que se enturva pelas muitas luzes me trouxeram conforto. Eu vivi boa parte da infância na zona rural, gosto do campo, do rústico, mas sempre em caráter transitório e propositalmente descontextualizado. Sou definitivamente um homo urbanus. Buenos Aires, e sua hipérbole a avenida 9 de Julho, me receberam calorosamente.
Já disseram que o espaço urbano é o espaço do feminino. Diria, para além, que as cidades são como mães das quais nunca abandonamos as tetas. Ou, em se tratando especificamente de cidades que conhecemos à passeio, que são como namoradas. Conhecemos, flertamos, nos familiarizamos, desfrutamos longamente para depois, tristes, vivermos um afastamento dolorido. Aqui em Buenos Aires me senti assim, tiro fotos vorazmente, encantado com suas belas curvas e reentrâncias. Deixo-me perder por suas longas alamedas e exploro suas galerias, maravilhado por sua beleza e novidade.
Sonho um dia poder encontrar uma cidade com a qual eu possa me casar e só a ela me entregarei. Ou não. Por hoje penso em Buenos Aires com desejo e lembro ternamente da minha humilde mãe, Londrina.
Buenos Aires, 19 de julho de 2011
M.U.C.C.
Já disseram que o espaço urbano é o espaço do feminino. Diria, para além, que as cidades são como mães das quais nunca abandonamos as tetas. Ou, em se tratando especificamente de cidades que conhecemos à passeio, que são como namoradas. Conhecemos, flertamos, nos familiarizamos, desfrutamos longamente para depois, tristes, vivermos um afastamento dolorido. Aqui em Buenos Aires me senti assim, tiro fotos vorazmente, encantado com suas belas curvas e reentrâncias. Deixo-me perder por suas longas alamedas e exploro suas galerias, maravilhado por sua beleza e novidade.
Sonho um dia poder encontrar uma cidade com a qual eu possa me casar e só a ela me entregarei. Ou não. Por hoje penso em Buenos Aires com desejo e lembro ternamente da minha humilde mãe, Londrina.
Buenos Aires, 19 de julho de 2011
M.U.C.C.
domingo, 24 de julho de 2011
Diários Austrais: Dia 2
Uchuaia, se diz Ussuaia, é uma cidade fria. Não só por ser a mais austral do mundo, mas porque o frio aqui é um protagonista polissêmico. Pode se sentir o frio em várias dimensões e significados. Uchuaia foi criada para ser uma prisão do governo porteño ainda nos primórdios do século passado. Na pequena e gélida ilha argentina, o governo queria erigir uma alcatraz, um Gulag, uma Austrália dos primórdios coloniais. O folclore que a cidade hoje alimenta em torno da antiga prisão, por necessidades turísticas, dá ao frio a dimensão da ausência.
A ausência dos bandidos, dos presos políticos e das árvores que cortavam. Não é o caso de transformar condenados da justiça em heróis ou vítimas, coisa que anda já à algum tempo na moda. Mas deve-se notar com desconforto que aqueles condenados são hoje produto de consumo, seus pijamas podem ser comprados em lojas, a prisão virou museu e o trem por onde chegavam é ponto turístico, lindíssimo aliás. Há em Uchuaia o frio da ausência desses desgraçados civis que têm sua memória hoje invertida. Os indesejáveis são hoje vendidos e negociados para salvar a pele dos comerciantes.
Há também o frio da ausência dos índios que batizaram a cidade, estão em estátuas de cera, fotos e ilustrações, mas já não existem. Os guias engasgam quando perguntados sobre isso, "mas e os índios?" Suas respostas são mais vazias que o de costume. Este é um silêncio aliás que ecoa por toda a Argentina, para onde foram os índios? Suas palavras batizaram bahias e aldeias que já não podem usufruir. Não falo em nome deles, não acho que tenha o que ser reparado, mas também o uso mercadológico atual é um pouco desconfortável. Não quero parecer dramático demais, mas me sinto na obrigação de fazer este juízo histórico.
Contudo confesso que frio mesmo senti dentro de mim mesmo. Gelei como o frio-de-barriga em montanha-russa. Senti o frio do susto. É o susto de se sentir migalha frente as gelerais, os picos andinos e o imenso. O susto mediante as chacoalhadas do avião. De repente lembrei-me quem sou, a natureza me esbofeteava com sua grandeza. Este foi o verdadeiro e eloquente frio de Uchuaia, notar-se pouco e insuficiente. Notar-se em seu tamanho natural e verdadeiro. Ser migalha pelas saudades e pelos limites.
Uchuaia 15 de julho
M.U.C.C.
terça-feira, 28 de junho de 2011
encanto e desencanto
A vida que levamos é dura demais. Se assim não fosse não teríamos que sonhar para dormir, poderíamos passar a noite toda dormindo e revisando os acontecimentos do dia anterior. Mas só dorme quem consegue escapar à vida que levamos de olhos abertos. Já disseram, neste mesmo sentido, que não existe sociedade humana que não possua mecanismos de escapismo, de fuga da realidade. Êxtases, alucinógenos, encantamentos, fantasias são também saudáveis em um certo sentido e em uma certa dosagem. Fugimos das aflições e nos damos ao direito do deleite.
Com o tempo essas escapadas podem se tornar mais sofisticadas e menos perigosas. Dessa sofisticação nasceu a arte, creio. Nem tão séria como um rito xamânico, nem tão despreocupada como um faz-de-conta de criança, a arte nos permite voar tendo a certeza de que os pés permanecem firmes no chão. Não é sonho, mas convence. É como um porre, mas sem ressaca. Tem quem diga que o elemento que nos faz verdadeiramente humanos é a razão, outros dizem ser o trabalho, outros ainda a consciência, mas eu me atrevo a dizer ser a arte. Não digo como quem discorda, mas como quem muda o ângulo.
Existem pessoas que passam a vida sem fazer a menor questão de experimentar arte em níveis significativos. O sujeito ouve música no rádio, na igreja, na festa, mas não se dá conta do acontecimento. Ou assiste um filme como quem faz palavras cruzadas. Para mim essas pessoas estão perdendo um pedaço de si, estão vivendo um aquém-do-homem. Nem todos somos obrigados à devoção do crítico, do esteta, do musicólogo, do dramaturgo, mas creio que todos podemos experimentar a arte profundamente. Não se trata de rigores acadêmicos e crivos canônicos, mas de sensibilidade. Um ser humano não poderia passar em branco diante de uma linda ária, um belo afresco ou um elegante conto. Alguém insensível diante da arte está privado de uma porção relevante da alma humana tanto quanto alguém que não consegue exercer adequadamente suas faculdades lógicas.
O mais lamentável é pensar que isto é sim uma questão de educação. Não de escolarização, mas de educação em um sentido mais amplo. Rubem Alves disse que ninguém gosta de caviar se só lhe for oferecido arroz e feijão, neste mérito lhe dou razão. De tudo o que me frusta sendo professor, o que mais me atinge é ver um aluno absolutamente brutalizado, incapaz de ver beleza no que é evidentemente belo. Penso que mais que guerras, crises e revoluções devo ensiná-los a beleza. Cidadania é também um conceito estético. Os alunos não aprendem o que não percebem sentido, berra uma pedagoga cheia de verdades, eu quase concordo. Mas prefiro pensar que não é uma questão de sentido é uma questão de encanto. Todo saber nasce do espanto já diziam os velhos gregos.
Ando impaciente com a realidade, o Brasil é um caso perdido definitivamente. Rogo para que a Copa não saia, que os estádios desabem, sem ninguém dentro é claro, que falte luz, hotéis e pistas nos aeroportos, nós merecemos. Jornais, telejornais e e-jornais são tarefa dura demais para mim, não posso com eles. Paloccis, Batistis, Mescadantes, Fuxis me venceram pelo cansaço. Fiquem com o Brasil para vocês, brinquem à vontade desse teatro macabro. De tão trágico faz inveja a Sófocles, de tão explícito e sarcástico faz Genet corar. Eu fico na companhia da nuvem de gênios que este planeta já gerou.
M.U.C.C.
Com o tempo essas escapadas podem se tornar mais sofisticadas e menos perigosas. Dessa sofisticação nasceu a arte, creio. Nem tão séria como um rito xamânico, nem tão despreocupada como um faz-de-conta de criança, a arte nos permite voar tendo a certeza de que os pés permanecem firmes no chão. Não é sonho, mas convence. É como um porre, mas sem ressaca. Tem quem diga que o elemento que nos faz verdadeiramente humanos é a razão, outros dizem ser o trabalho, outros ainda a consciência, mas eu me atrevo a dizer ser a arte. Não digo como quem discorda, mas como quem muda o ângulo.
Existem pessoas que passam a vida sem fazer a menor questão de experimentar arte em níveis significativos. O sujeito ouve música no rádio, na igreja, na festa, mas não se dá conta do acontecimento. Ou assiste um filme como quem faz palavras cruzadas. Para mim essas pessoas estão perdendo um pedaço de si, estão vivendo um aquém-do-homem. Nem todos somos obrigados à devoção do crítico, do esteta, do musicólogo, do dramaturgo, mas creio que todos podemos experimentar a arte profundamente. Não se trata de rigores acadêmicos e crivos canônicos, mas de sensibilidade. Um ser humano não poderia passar em branco diante de uma linda ária, um belo afresco ou um elegante conto. Alguém insensível diante da arte está privado de uma porção relevante da alma humana tanto quanto alguém que não consegue exercer adequadamente suas faculdades lógicas.
O mais lamentável é pensar que isto é sim uma questão de educação. Não de escolarização, mas de educação em um sentido mais amplo. Rubem Alves disse que ninguém gosta de caviar se só lhe for oferecido arroz e feijão, neste mérito lhe dou razão. De tudo o que me frusta sendo professor, o que mais me atinge é ver um aluno absolutamente brutalizado, incapaz de ver beleza no que é evidentemente belo. Penso que mais que guerras, crises e revoluções devo ensiná-los a beleza. Cidadania é também um conceito estético. Os alunos não aprendem o que não percebem sentido, berra uma pedagoga cheia de verdades, eu quase concordo. Mas prefiro pensar que não é uma questão de sentido é uma questão de encanto. Todo saber nasce do espanto já diziam os velhos gregos.
Ando impaciente com a realidade, o Brasil é um caso perdido definitivamente. Rogo para que a Copa não saia, que os estádios desabem, sem ninguém dentro é claro, que falte luz, hotéis e pistas nos aeroportos, nós merecemos. Jornais, telejornais e e-jornais são tarefa dura demais para mim, não posso com eles. Paloccis, Batistis, Mescadantes, Fuxis me venceram pelo cansaço. Fiquem com o Brasil para vocês, brinquem à vontade desse teatro macabro. De tão trágico faz inveja a Sófocles, de tão explícito e sarcástico faz Genet corar. Eu fico na companhia da nuvem de gênios que este planeta já gerou.
M.U.C.C.
sábado, 11 de junho de 2011
Caminho de Emaús.
Medi meus passos enquanto andava pela calçada, assim meio de canto de olho. Faço isso encanto me divirto andando pelo centro da cidade, principalmente quando não tenho para onde ir. É difícil ter a medida de si mesmo. Calcular o tamanho de nossas pegadas não é apenas um problema métrico, é um problema crônico. As vozes múltiplas que vem de dentro são sempre muito ruidosas, são sempre muito eloquentes e fazem desta tarefa sempre um desafio. Penso que, mesmo com toda essa dificuldade, todo ser humano que faz por merecer o nome, humano, deve analisar suas pegadas, se possível cotidianamente. Deixar brotar de si uma conversa honesta, franca e positiva. De que vale a vida sem perceber sua dimensão?
Acho que é por isso que sempre gostei de caminhadas, deleito-me em minha própria companhia, carrego um armazém de bobagens, às vezes me controlo para não rir sozinho. Planos nascem, ideias e ideais, a vida se refresca, a mente se entope de novidades. É clichê, eu sei, já vi até o Chico Buarque (nada pode ser mais clichê que o chico) falando sobre o tema, mas é tão verdade que me dou a esse direito, se você não se incomodar improvável leitor. Correr é bom também, mas atrapalha um pouco o pensamento, o prazer é mais físico do que intelectual. Andar é como assistir uma palestra dada por si mesmo, podendo ainda perder-se em tantos temas, abrir e fechar janelas de bate papo consigo. Não era em vão que Aristóteles dava suas aulas andando, um dia chego lá.
Tive grandes caminhadas na chuva, no frio, na praia, em estradas de terra, no calçadão, ainda de petit pave, e principalmente nas margens do lago. O Igapó é feio eu sei, quando chove parece toddy de tanto assoreameto, muitas vezes exala cheiros incômodos, mas é o lago que passa em minha aldeia, se é que Pessoa permite o trocadilho. Vi o céu se pintar de todas as cores, já vi dia, manhã e noite, andei menino, rapaz e homem. Andei, ando e andarei por lá. Caminhada é uma espécie de metalinguagem da existência. É uma narrativa de si sobre si. Caminho, trajeto, pegada são, nesse caso, palavras de duplo sentido.
Há também a caminhada em que ao vascular suas entranhas se pode encontrar com algo externo, absolutamente outro. A Este chamamos Deus. Me lembro de Tê-lo encontrado uma vez subindo a rua Guararapes, outra ainda descendo as escadas do Edifício Alaska, me lembro de passear ao Seu lado nos carreadores do São Rafael. Essa é a Estrada do Emaús, curioso é que já vivi perto à uma estrada que chamava-se Emaús em referência ao trecho biblíco e também andei por lá ainda menino. A Estrada do Emaús é o ponto onde solitário se pode encontrar com Deus. Não é uma experiência coletiva, nem que se faz conduzir por outrem, é um estar só, pero-no-mucho. Não vou muito à Igrejas, não tenho um rótulo religioso mais, não converso muito sobre o tema, não gosto muito da maioria das pessoas religiosas que conheço, mas caminho. Gosto muito de estar em Emaús.
M.U.C.C.
Acho que é por isso que sempre gostei de caminhadas, deleito-me em minha própria companhia, carrego um armazém de bobagens, às vezes me controlo para não rir sozinho. Planos nascem, ideias e ideais, a vida se refresca, a mente se entope de novidades. É clichê, eu sei, já vi até o Chico Buarque (nada pode ser mais clichê que o chico) falando sobre o tema, mas é tão verdade que me dou a esse direito, se você não se incomodar improvável leitor. Correr é bom também, mas atrapalha um pouco o pensamento, o prazer é mais físico do que intelectual. Andar é como assistir uma palestra dada por si mesmo, podendo ainda perder-se em tantos temas, abrir e fechar janelas de bate papo consigo. Não era em vão que Aristóteles dava suas aulas andando, um dia chego lá.
Tive grandes caminhadas na chuva, no frio, na praia, em estradas de terra, no calçadão, ainda de petit pave, e principalmente nas margens do lago. O Igapó é feio eu sei, quando chove parece toddy de tanto assoreameto, muitas vezes exala cheiros incômodos, mas é o lago que passa em minha aldeia, se é que Pessoa permite o trocadilho. Vi o céu se pintar de todas as cores, já vi dia, manhã e noite, andei menino, rapaz e homem. Andei, ando e andarei por lá. Caminhada é uma espécie de metalinguagem da existência. É uma narrativa de si sobre si. Caminho, trajeto, pegada são, nesse caso, palavras de duplo sentido.
Há também a caminhada em que ao vascular suas entranhas se pode encontrar com algo externo, absolutamente outro. A Este chamamos Deus. Me lembro de Tê-lo encontrado uma vez subindo a rua Guararapes, outra ainda descendo as escadas do Edifício Alaska, me lembro de passear ao Seu lado nos carreadores do São Rafael. Essa é a Estrada do Emaús, curioso é que já vivi perto à uma estrada que chamava-se Emaús em referência ao trecho biblíco e também andei por lá ainda menino. A Estrada do Emaús é o ponto onde solitário se pode encontrar com Deus. Não é uma experiência coletiva, nem que se faz conduzir por outrem, é um estar só, pero-no-mucho. Não vou muito à Igrejas, não tenho um rótulo religioso mais, não converso muito sobre o tema, não gosto muito da maioria das pessoas religiosas que conheço, mas caminho. Gosto muito de estar em Emaús.
M.U.C.C.
terça-feira, 7 de junho de 2011
Selfmade mistake
Por uma fresta dos tempos permaneceu ele ali em frente a uma túrgida melancia. Não foram muitos segundos, nada que pudesse causar estranheza em alguém que percebesse a cena. Lembrou-se de tardes quentes, de sua saudosa mãe, de sentir o suco correr pelos braços. Nesta curva do tempo fez-se tarde e primavera, os botões abriram e murcharam, foram muitas luzes de muitos carnavais. Quase arriscou um sorriso, mas logo voltou à realidade. Se deu conta do motivo de sua saudade de melancia. Melancia é uma fruta comunitária, não tem versão single, não tem como comer sozinho. Sentiu a boca amargando, não pela falta da fruta, mas a dos amigos, da mãe, das férias e de toda uma vida já quase morta. Mais do que nunca estava só, sentia-se só, estava desacompanhado de quase tudo. Sempre se sentira dono de si, conquistara uma rotina em que tudo parecia exclusivamente seu, do carro às cuecas, ganhou e perdeu a vida só. Teve o ímpeto de demitir-se de si, a melancia em sua frente provara seu fracasso, sua ingenuidade. Voltou para casa cabisbaixo e só.
MUCC
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Location:R. Espírito Santo,Londrina,Brasil
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